domingo, 13 de agosto de 2017

Voltando a normalidade!

Depois de muitos e muitos dias de cama, o corpo começa a reagir a sua normalidade... Não foi fácil parar a vida, sentir-se sem força e ânimo, ver os dias passarem e não conseguir ter uma reação por mais que a vontade fosse nesse sentido.

Dias de pouca conversa, de corpo deitado e agasalhado por muitos cobertores. Sem apetite, sem sorriso, sem energia que pudesse colocar a vontade de estar bem como resposta do corpo. Não me recordo de uma situação igual e tão longa. Meu marido disse-me que também não se recordava de me ver tão acamada por tanto tempo nesses longos anos juntos...foi muito difícil.

Chorei algumas vezes, pois por algumas vezes eu sentia que não ia sair daquela situação, pois era tão forte a forma debilitada que a esperança do "vou melhorar" quase não acontecia. Em função disso, algumas pessoas olhavam o conjunto e viam nele um início de depressão, e isso era o que mais me incomodava. Reconheço a patologia da depressão, reconheço os danos que a mesma causa, o quanto é difícil para vencê-la, conheço muitas pessoas que lidam com isso diariamente, inclusive no trabalho do projeto, mas...não sou eu, ou melhor, não é uma patologia que habita em mim.

Minha tristeza ocorreu pela limitação, sou livre, sou energia, sou ação, sou perseverança, sou determinação, e limitar-me é ir contra a minha natureza. Entender isso era o que fazia me perguntar todos os dias, várias vezes ao dia - Onde estou? Essa era a minha pergunta. Procurava por mim todo o tempo.

Tomei tantos chás, tanta alopatia, tanta homeopatia, passei por reza e banhos. Tudo que estava ao meu alcance eu fiz para que o corpo pudesse reagir. Era como se eu não me pertencesse, minha mente queria o que o meu corpo não conseguia responder. Eu dava cinco passos e precisava sentar, pois o cansaço era incontrolável. As vezes nem falar era possível, a sensação de deixar as palavras saírem levaria a minha pouca reserva de energia, eu então balançava a cabeça dizendo sim ou não.

 Remédios fortes  também fizeram zerar meu apetite e deixaram meu pobre estômago ainda mais frágil, a gastrite gritou. Além da infecção bacteriana somou-se uma enorme  estafa mental.

Além de todos as soluções já descritas entre alopatias, homeopatias, chás e rezas, passei por uma avaliação de iridologia (estudo da iris do olho), e lá acusou o desgaste mental. Eu havia chegado ao limite da exaustão mental, e com isso o corpo (como defesa) parou, assim eu teria (forçosamente) de repouso do corpo e da mente.

Meu desejo de estar bem era incessante, mas minha mente havia esvaziado, não pensava em nada, não me estimulava por nada, não almejava nada, não sonhava ou desejava nada, não programava ou pensava em planejar nada. Ela estava vazia de verdade. E hoje eu entendo que esse esvaziamento deu-se em função dessa exaustão.

Quando entendi isso, passei a cooperar, ou seja, passei a não querer nem ficar boa, apenas deixar que o corpo encontrasse seu tempo, ele sabia eu não. E foi exatamente isso que me fez melhorar. Deixei a vida seguir sem dela esperar nada, nem estar curada e poder me reencontrar comigo mesma.

Devagar fui melhorando, fui voltando a caminhar em casa sem que o cansaço me fizesse sentar rapidamente, a pressão deixou de dar  quedas bruscas, o apetite não voltou mas eu já conseguia passar da segunda colher sem que a intolerância fosse mais forte.

Não tive pressa de sair, apenas vontade de dirigir, e o fiz. Me fez bem dirigir, gosto de dirigir. Mas não tive pressa de estar fora do meu habitat, de meu refúgio. Não tive vontade de voltar a minha vida, eu havia passado por uma caminhada que tinha me conduzido a outra vida, com outro entendimento. E por mais que as pessoas me dissessem que a "Denise Lopes" estaria em breve no fazer acontecer, eu já estava em mim, mas dentro de outro formato, outros anseios e entendimentos.

Aprendi muito com esse período de exaustão, de limites, de silêncio, de esvaziamento. Vi a vida de uma forma diferente, dentro de uma rotina diferente.

Hoje é o primeiro dia que volto a escrever em algum lugar virtual, precisava registrar isso tudo, todas as intensas experiências vividas nesse período. Estou pronta, não para ser o que eu era, mas para ser o que eu aprendi a ser, e isso será novo pra mim também.




Beijos

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